Comecei a dar aulas de ballet muito cedo. Meio que por acaso, substituindo uma amiga num dia, estagiando no baby class da academia no outro. Até que no primeiro ano fora da escola (e dentro da universidade) uma turma de ballet caiu no meu colo. Meio que vinda do céu e num momento bem oportuno. Mas aquilo não era meu sonho. Era bacana, porém muito desgastante. Muito mesmo. Como alguém me disse um dia desses: "criança só é legal quando é uma de cada vez". E realkmente... ter uma turma sob o meu comando era estranho e cansativo.
E no ano seguinte veio mais uma escola. Agora eram três turmas. E uma apresentação no final do ano. E cada vez mais turmas, mais responsabilidade e mais desgaste (isso sem falar na UnB).
Até um certo ponto, ok. Estava na faculdade e o ballet era um emprego paralelo, para dar uma forcinha com a grana e me dar mais autonomia. Aí veio a formatura. E aquela escola horrível com nome de ave (antes da formatura). E uma atividade que já não me dava tanto prazer, passou a ser uma real tortura.
Gritos, choros, turmas lotadas, falta de consideração, cobranças indevidas, problemas, um reclama, outro gosta, dor de cabeça... isso acontece em qualquer trabalho, não?
Hoje eu estou cansada. Cansada de ballet, de apresentação, de criança mal educada, mas pela primeira vez desde que tudo começou, vejo que é possível chutar o balde. Caso faça isso, tenho que arcar com o ônus. Agora resta decidir se vale a pena.
