Eufemizar as coisas é um hábito que algumas pessoas têm para tornar digeríveis o que consideram indigesto demais.
Quando eu decidi criar este blog, a minha intenção era soltar o verbo, sem suavizar nada; mas me vi caindo na armadilha de sempre: eufemismos. E palavras escondidas. E palavras apagadas. E trechos reescritos. Foram poucas as vezes que consegui escrever do jeito que eu realmente queria.
Motivações para agir desta maneira? Inúmeras. Mas existe uma em especial - sobre a qual eu conversei recentemente com uma das pessoas que norteiam a minha vida - que é a mais forte. É a que mais destrói a conexão entre os meus dedos (na verdade, dois dedos, porque eu não sei digitar de outra forma) e o pensamento. É a que mais freia a minha escrita. É a que detona toda fluência, toda a naturalidade. E essa motivação se chama medo (tá vendo? lá ia eu apagar "medo" e escrever " receio"...).
Mas medo de quê? De mostrar que sim, eu tenho um lado emocional. Sempre tive essa besteira de achar pessoas emocionais mais vulneráveis. De considerar que sentimentos são pontos de fragilidade. Em partes, isso é verdade. Quando se gosta muito de uma pessoa (amigo, família, namorado(a), que seja), é normal importar-se com seu bem-estar, seu estado de espírito, sua felicidade e seus sentimentos. E também é normal abalar-se com fatos que possam afetar a vida dessa pessoa ou que possam abalar o relacionamento, seja ele qual for. Raiva, alegria, amor, consideração, ódio, mágoa, medo, insegurança, certeza, incerteza, exaltação... sentimentos! Fazem parte da vida.
Eu mascaro o meu eu-que-sente por trás dos meus outros eus. O eu-que-trabalha, o eu-que-pensa, o eu-que-curte. Mas para eu mostrar para os outros o meu eu-que-sente, é muito difícil. Talvez o considere o eu mais frágil. Ou melhor (isso vai ser redundante): o meu eu SENSÍVEL. Ele é um pouco como a Rosa do Pequeno Príncipe, escondidinho num planeta pequenino e quase desconhecido (planeta Carol?), superprotegido e (mal ou bem?) cuidado. Mas, na real, esse eu ocupa uma parte muito grande do planeta Carol. Eu tento negar isso, eu tento esconder isso, eu fujo disso. Mas é fato: esse meu "eu" é muito grande. E está na hora de tentar quebrar a redoma de vidro (no caso, vidro com película preta) e parar de escondê-lo.
Porque sim, eu penso, eu curto, eu trabalho; mas além disso tudo, eu SINTO!
E agora, sem eufemismos! Quando eu amo é para valer. Quando eu considero, é de verdade. E se eu demonstro qualquer tipo de sentimento (do ódio ao amor), acredite: é verdadeiro.